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O mês de julho acolheu um encontro emblemático da Universidade. Realizamos, no dia 9, nossa Assembleia Universitária Extraordinária, na qual compartilhamos, com toda a Comunidade PUC, os resultados financeiros de 2025 e o Relatório de Responsabilidade Social. Mais do que uma prestação de contas, esse encontro reafirma o compromisso de conduzir a Universidade com transparência, escuta e corresponsabilidade – iluminando conquistas construídas em conjunto e os horizontes delas derivados.
Nossa Assembleia detalhou um marco histórico. Depois de um longo período de pressão econômico-financeira, alcançamos, no ano passado, um superávit global de R$ 80,9 milhões. Tal resultado expressa o esforço coletivo de professores, pesquisadores, estudantes, funcionários e lideranças universitárias em torno do Planejamento Estratégico e do Plano Diretor da Universidade. Reduzimos, também de forma consistente, o déficit estrutural do segmento de ensino e pesquisa. Ampliamos nossa receita bruta, nossa liquidez e nossos recursos próprios de livre uso. São números que não se constroem do dia para a noite, mas que traduzem uma trajetória sustentada por novas ferramentas de governança, controle e responsabilidade institucional.
Tais avanços na sustentabilidade financeira convergem para a expansão de investimentos em ensino, pesquisa e extensão, assim como de parcerias estratégicas. Reforçam, portanto, a excelência acadêmica alinhada à identidade comunitária da PUC-Rio, à missão de zelar pelo bem comum.
Missão refletida no crescimento das ações afirmativas e de inclusão. Neste sentido, foi igualmente significativa a apresentação do Relatório de Responsabilidade Social Universitária, que reúne 540 iniciativas de extensão e engajamento comunitário articuladas em torno de quatro esferas de cuidado: a pessoa, a comunidade, o mundo e o ecossistema. Fortalecemos, assim, nossa identidade como universidade católica, comunitária e a serviço da sociedade, comprometida com a dignidade, a justiça e o cuidado com a Casa Comum. A sustentabilidade financeira que conquistamos permite que a nossa missão se realize de forma cada vez mais ampla e concreta.
Agradeço a toda a comunidade universitária pela confiança, pelo empenho e pela corresponsabilidade que tornam esses avanços possíveis. Que saibamos receber cada resultado não como ponto de chegada, mas como impulso para seguirmos servindo ao bem comum, com excelência acadêmica, sensibilidade humana e compromisso permanente com a sociedade.
Comunidade PUC acompanha a Assembleia Universitária Extraordinária - Foto: Vinícius Verta
A comunidade PUC-Rio reuniu-se em 9 de julho na Assembleia Universitária Extraordinária, no Salão da Pastoral, com transmissão simultânea pelo canal da Universidade no YouTube. Professores, funcionários, estudantes, lideranças institucionais e antigos alunos acompanharam a apresentação dos resultados financeiros de 2025 e do Relatório de Responsabilidade Social Universitária (RSU), referente ao ciclo de 2025.
Ao abrir o encontro, o Reitor, Pe. Anderson Antonio Pedroso, S.J., destacou o caráter democrático e transparente da iniciativa: "Compartilhamos, de maneira democrática, aberta, dados sobre a saúde financeira da Universidade, mas em todos os sentidos. Uma indicação transparente de onde estamos e para onde vamos". Segundo o estatuto da PUC-Rio, a Assembleia é o espaço institucional responsável por prestar contas dos planos de trabalho e das atividades desenvolvidas em cada período.
Apresentados pelo professor Creso Soares Jr., mestre de cerimônia do encontro, os dados mostram a reversão de uma trajetória: entre 2015 e 2021 os resultados contábeis foram majoritariamente negativos; a partir de 2022, com a reestruturação administrativa e financeira, a Universidade iniciou uma recuperação gradual, que resultou em superávit global de R$ 40,3 milhões em 2024 e R$ 80,9 milhões em 2025 — o maior patamar já registrado.
Para o Vice-reitor Administrativo, professor Leonardo Lima Gomes, os números refletem uma trajetória estruturada a partir do Planejamento Estratégico da Universidade, cujos sete pilares incluem a sustentabilidade financeira: "A gente observa uma ampliação muito grande [nos projetos patrocinados], sob a liderança do Vice-reitor de Desenvolvimento e Inovação, Prof. Marcelo Gattass, e do Reitor, Pe. Anderson. [...] Isso se desenvolveu com mais organização dos institutos, dos laboratórios, com mais governança nessa área".
A Vice-reitora de Extensão e Estratégia Pedagógica, professora Jackeline Farbiarz, apresentou o RSU 2026 (ciclo 2025), documento que atende à Portaria 71 do MEC sobre instituições comunitárias de educação superior. "Não é apenas um documento de prestação de contas. É um retrato de quem somos e do que fazemos a partir da nossa vocação, como universidade comunitária confessional a serviço do bem comum", afirmou.
O relatório está organizado em quatro esferas concêntricas de cuidado — pessoa, comunidade, mundo e ecossistema — e reúne 540 iniciativas de 47 unidades, distribuídas em 11 eixos e 24 programas permanentes. Diálogo Social e Cidadania Ativa somam 106 iniciativas; Direitos Humanos e Justiça Social, 62; Saúde e Bem-Estar, 60. Quase 85% das ações nascem de demanda externa e cerca de 60% têm caráter permanente ou recorrente, embora menos de 30% estejam plenamente sistematizadas — lacuna que a Vice-reitora apontou como prioridade para o próximo ciclo.
Reunião de lideranças das Pontifícias Universidades Católicas do Brasil - Foto: Divulgação
O reitor da PUC-Rio, Padre Anderson Antonio Pedroso, S.J., participou, no dia 3 de julho, de uma reunião de lideranças das Pontifícias Universidades Católicas do Brasil, realizado na PUCPR, em Curitiba. Representantes da PUC-Rio, PUCPR, PUCRS, PUC Minas, PUC Goiás, PUC SP e PUC-Campinas debateram os impactos da inteligência artificial na educação, na sociedade e na missão das universidades católicas.
Inspirado pela Encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, o encontro teve como eixo central a defesa da dignidade humana diante das rápidas transformações tecnológicas. Os reitores discutiram caminhos para que a inteligência artificial seja compreendida e utilizada como instrumento a serviço da pessoa, da formação integral, da justiça e do bem comum.
Para Padre Anderson, a reflexão proposta pela encíclica ajuda a situar a IA como um desafio profundamente humano. Durante o encontro, o reitor da PUC-Rio destacou que, se o Papa Leão XIII foi o pontífice da revolução industrial, o Papa Leão XIV se apresenta como uma voz fundamental no contexto da revolução tecnológica. Neste sentido, a Magnifica Humanitas propõe a salvaguarda do ser humano em um mundo cada vez mais mediado por algoritmos.
A reunião também reforçou o papel das universidades católicas como espaços de pensamento crítico, produção de conhecimento e formação de profissionais capazes de aliar competência técnica, consciência ética e compromisso social. Entre os temas debatidos estiveram o uso responsável da IA no ensino, na pesquisa, na inovação, nos serviços universitários e nas relações com a sociedade.
Na PUC-Rio, essa discussão se conecta diretamente às iniciativas da Universidade no campo da inteligência artificial, especialmente com a criação do Instituto PUC-Behring de Inteligência Artificial e com a abertura de novas frentes de ensino, pesquisa e inovação orientadas por uma perspectiva humanística. A proposta é que o avanço tecnológico esteja sempre associado à responsabilidade, à inclusão, à interdisciplinaridade e ao impacto positivo na sociedade.
Trabalho colaborativo em terra indígena reforça compromisso com a inclusão - Foto: divulgação
A PUC-Rio realizou uma nova etapa de imersão e trabalho colaborativo na Terra Indígena (TI) Andirá-Marau, no Amazonas, reforçando seu compromisso institucional com a inclusão, a sustentabilidade e a preservação dos conhecimentos ancestrais. Integrando iniciativas de extensão e pesquisa da Universidade — como o Metaprojeto Amazonizar e o projeto Gávea Carioca —, a ação reuniu 27 participantes, entre lideranças comunitárias (tuxauas), professores, agentes de saúde, anciãos e jovens nas aldeias São José, São Pedro e Terra Nova, para avançar no desenvolvimento do "Kit Lideranças Sateré-Mawé".
A equipe da Universidade no território foi composta por Fernanda Pina, Gestora de Programas Extensionistas e Engajamento Comunitário; Hannah Lima Farbiarz, doutoranda em Design e articuladora da relação com os Sateré-Mawé; e Julia Teles, pós-doutoranda do PROEXT-PG.
A metodologia adotada fundamenta-se nas abordagens de Design em Parceria e Design Colaborativo, que superam lógicas tradicionais e asseguram a horizontalidade, o protagonismo e a autonomia do povo Sateré-Mawé na construção de soluções para o seu próprio território. "Construir com o território, e não para o território, é a premissa que guia nossa presença junto aos povos originários", destaca a equipe envolvida no projeto.
Durante as atividades de campo, foram promovidas dinâmicas de escuta intergeracional focadas em eixos prioritários apontados pelas próprias comunidades: educação, saúde, justiça, sustentabilidade e empreendedorismo. Dentre as ferramentas utilizadas, destacou-se o jogo DESAFIMAWÉ, desenvolvido com o auxílio da Coordenação de Ludificação e Criatividade da Vice-Reitoria de Extensão e Estratégia Pedagógica (VREEP) como instrumento colaborativo de mediação e diálogo sobre desafios locais e competências comunitárias.
A programação contou ainda com a edição territorial do Varal dos Sonhos — iniciativa originada no campus da Gávea — e com a Oficina de Ilustração de Histórias Sateré-Mawé. Por meio das narrativas de uma anciã e um professor indígena, crianças e jovens registraram visualmente as memórias dos clãs Meirú e Sateré utilizando tintas preparadas com pigmentos naturais. Além disso, realizou-se o teste de ferramentas de tecnologia social para o furo seguro de sementes junto aos artesãos locais.
Ao colocar a produção científica e acadêmica a serviço da vida e do diálogo entre saberes, a PUC-Rio reafirma a sua presença comunitária e o seu papel de ponte na valorização dos povos originários e do desenvolvimento sustentável.